LEITURA - O PERFIL DO PREGADOR. JOHN STOTT
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
STOTT, John R. W. O Perfil do Pregador. São Paulo: Vida Nova, 2ª ed., 1997.
APRESENTAÇÃO DO AUTOR
Pela importância de seu ministério no contexto evangélico. John Stott dispensa apresentações. Como grande exegeta, pregador expositivo, e líder de importantes instituições de liderança cristã e cooperação missionária, Stott simplesmente foi um dos líderes mais influentes da Igreja nos últimos anos. Apesar de sua morte no ano de 2011 seu ministério ainda ecoa através de muitos líderes cristãos que ele formou, além da influência exercida através de seus inúmeros escritos.
Porém, apresento uma sucinta introdução.
John Stott (1921–2011) foi um dos mais influentes líderes evangélicos do século XX. Pastor anglicano, teólogo, expositor bíblico e articulador do evangelicalismo global, destacou-se como principal redator do Pacto de Lausanne (1974), documento-chave da teologia missionária contemporânea. Formado em Cambridge e Ridley Hall, exerceu ministério pastoral em Londres e dedicou-se à formação de líderes por meio do Langham Partnership. Sua produção literária ultrapassa cinquenta obras, traduzidas em dezenas de idiomas, mantendo ampla influência após sua morte.
PERSPECTIVA TEÓRICA DA OBRA
A obra está inserida na tradição evangélica clássica, com forte ênfase na autoridade das Escrituras e na pregação expositiva. Stott articula uma hermenêutica bíblica equilibrada, evitando tanto o liberalismo teológico quanto o fundamentalismo acrítico. Sua abordagem parte da exegese de termos neotestamentários aplicados ao ministério da pregação, reforçando a centralidade do texto bíblico e a responsabilidade pastoral.
BREVE SÍNTESE DA OBRA
Nesta pequena, porém importante obra. Stott faz a análise exegética de algumas palavras-chaves, que apresentam as imagens do pregador nas escrituras.
O livro está estruturado a partir de imagens bíblicas do pregador. Em um primeiro movimento, o autor apresenta concepções equivocadas do ministério, destacando o que o pregador não é. Em seguida, desenvolve imagens positivas que definem o perfil bíblico do pregador: despenseiro, arauto, testemunha, pai e servo. Cada metáfora é analisada biblicamente e aplicada ao exercício pastoral.
PRINCIPAIS TESES DESENVOLVIDAS
Stott afirma que o pregador não é profeta nem apóstolo no sentido revelacional, nem um mero repetidor de ideias alheias. Positivamente, o pregador é despenseiro fiel da Palavra, responsável por transmitir o conteúdo revelado com integridade. Como arauto, proclama publicamente o evangelho; como testemunha, fala a partir de uma experiência viva com Cristo; como pai, cuida do rebanho com amor pastoral; e como servo, exerce seu ministério com humildade e dependência de Deus.
REFLEXÃO CRÍTICA E IMPLICAÇÕES PARA O MINISTÉRIO
A obra permanece extremamente atual, sobretudo diante do risco contemporâneo de uma pregação performática e centrada na figura do pregador. Stott oferece um corretivo bíblico ao reafirmar que a autoridade da pregação reside na Palavra e no caráter do ministro. Sua contribuição é especialmente relevante para a formação pastoral, pois integra exegese, espiritualidade e missão. Trata-se de leitura indispensável para quem deseja compreender e exercer a pregação cristã de forma fiel, bíblica e pastoral. A medida que ele faz o resgate do perfil bíblico do pregador, o autor apresenta o resumo de sua filosofia de ministério acerca da missão e do propósito da pregação cristã para o mundo contemporâneo.
